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A curiosidade é mais importante do que o conhecimento?

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Alzira Willcox

Albert Einstein afirmou que a curiosidade é mais importante do que o conhecimento. Diríamos, humildemente, que a curiosidade propicia o conhecimento, estimula o indivíduo a buscar o conhecimento.
Além de preparar o cérebro para a aprendizagem, a curiosidade também pode tornar o aprendizado uma experiência mais gratificante para os alunos.
Os pesquisadores descobriram que quando a curiosidade do indivíduo é aguçada não se dá somente aumento da atividade no hipocampo que é a região do cérebro envolvida na criação de memórias, mas também no circuito do cérebro que está relacionado a recompensa e prazer. Este circuito é o mesmo que é estimulado quando conseguimos algo de que realmente gostamos, que nos é prazeroso, e ele libera dopamina, a substância química do “sentir-se bem” que transmite a mensagem entre os neurônios e dá-nos uma espécie de euforia. Assim, instigar a curiosidade dos alunos não só os ajuda a lembrar do ensinado, como também pode tornar a experiência de aprendizagem muito prazerosa.
A curiosidade tem, portanto, enorme importância na aprendizagem. Alunos curiosos querem respostas ás suas perguntas e são desejosos de aprender. A curiosidade moveu e move as grandes descobertas e invenções. Existe uma premissa em relação ao processo ensino-aprendizagem – é preciso estimular sempre a curiosidade dos alunos. É claro que a maioria dos professores já sabe instintivamente sobre a importância de fomentar mentes curiosas, mas ter embasamento científico é inegavelmente mais satisfatório.
Nunca achemos que as crianças são como ‘potes vazios’ que progressivamente vão sendo completados com conhecimento. Desde que nascem as crianças têm sua forma de ver o mundo e constroem suas ideias a respeito de tudo o que acontece. Com as experiências, o aprendizado, o amadurecimento, suas ideias vão ficando mais complexas. Isso é aprender. E a curiosidade tem papel preponderante nesse processo.
Por isso, não julguemos o que as crianças dizem como algo que não precisa ser levado em conta. O que eles falam é fruto de uma curiosidade infinita sobre as coisas e as pessoas que deve sempre ser estimulada.
O cérebro é como nossos músculos: quanto mais estimulado, mais responde. Quando mais passivo e menos exigido, mais limitado fica. Estimulemos a criança a explicar o que pensou e como pensou, a contar o que aprendeu e como aprendeu. Isso mostra que valorizamos ideias e conhecimento, dois elementos fundamentais ao desenvolvimento humano. Além do que, pesquisadores descobriram que, uma vez que a curiosidade foi despertada por alguma pergunta, indivíduos tiveram mais facilidade para aprender e lembrar informações completamente independentes. Isso acontece porque a curiosidade coloca o cérebro em um estado que lhe permite aprender e reter qualquer tipo de informação, que motiva o aprendizado.
E é preciso incentivar sempre a comunicação. Não antecipar a fala da criança. Deixe que verbalize a pergunta da forma mais completa que conseguir. Só assim ela se sentirá encorajada a perguntar mais. É relevante prestar atenção ao que a criança fala e não dar respostas superficiais, acreditando que ela não vai entender uma explicação mais detalhada. As crianças são muito observadoras, estabelecem muitas relações, são capazes de resolver muitos problemas – e todo adulto já teve a chance de perceber isso.
É possível também colocar à disposição das crianças brinquedos mais estimulantes. Há muitas lojas de brinquedos educativos. Procure aqueles que dão mais liberdade de criação para as crianças como os jogos de memória e raciocínio. E também se podem improvisar brincadeiras de adivinhação, por exemplo, ou jogo de palavras seguindo o alfabeto. Tudo é válido e estimula cada vez mais a curiosidade.
Há uma questão que ainda intriga os pesquisadores: por que algumas crianças são naturalmente mais curiosas que outras? Mas uma certeza se tem – a de que é possível estimular a curiosidade e devemos fazê-lo sempre. Lembremos-nos de ter algum tempo para conversar com as crianças – alunos, filhos, sobrinhos, netos – mesmo os de pouca idade. Quanto mais os adultos conversam com as crianças, maiores são os reflexos sobre o vocabulário, o estímulo ao pensamento e à linguagem. E ainda fortalecem os vínculos afetivos, não menos importantes para um desenvolvimento harmonioso.
E ao professor cabe sempre fazer perguntas inteligentes que instiguem a curiosidade dos alunos, principalmente no lançamento de alguma nova matéria.

2020-07-10T09:00:54-03:00